História de Belo Horizonte


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A localidade em que está situada Belo Horizonte começou a ser povoada em 1701 pelo bandeirante João Leite Ortiz, com a sua Fazenda do Cercado, em cujas terras nasceu o arraial de Curral d'El Rei que, em 1890, passou a denominar-se Belo Horizonte, sendo distrito de Sabará.

O nome de Curral d'El-Rei começou a aparecer em documentos oficiais em 1707, quando o arraial se formava nas proximidades do local em que depois se construiu uma capela, mais tarde convertida na Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem.

Ortiz lá esteve até 1721, aproximadamente, quando, já muito rico, atraído por parentes, foi, com estes, descobrir minas de ouro em Goiás. Mais tarde, em viagem para Portugal, veio a falecer em Recife, no Estado de Pernambuco.

O arraial cresceu, chegou a contar 18000 habitantes, estendendo-se até Paraopeba e Sete Lagoas. Depois, com o desmembramento em outros arraiais, ficou reduzida a 2500 habitantes.

A sua beleza topográfica, a doçura e amenidade de seu clima, a salubridade de seu solo, a sua abundância em materiais para construção, com que o dotara a natureza, um dia, em 1829, inspiraram a um dos seus vigários, o Padre Francisco de Paula Arantes, a enviar à Cúria Mariana, em relatório, esta notável previsão, mais tarde perfeitamente concretizada:

"A Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem de Curral d'El-Rey está situada em campos amenos na extensa planície de uma serra, donde emanam imensas fontes de cristalinas e saborosas águas; o clima da região é temperado; a atmosfera é salutar; está circulada de pedras e mais materiais de que se podem fazer soberbos edifícios; a natureza criou este lugar para uma formosa e linda cidade, se algum dia for auxiliada esta lembrança".

A antiga capital de Minas era Ouro Preto, cidade nascida por influência da grande mineração de ouro que se fazia desde os seus primeiros dias, região entre serras, inadequada para o desenvolvimento de uma grande e moderna cidade digna de ser sede do governo de Minas.

No período colonial e no imperial cogitou-se da mudança, mas a idéia não logrou ir avante.

Proclamada a República, o assunto voltou à tona vigorosamente e, depois de uma luta titânica, foram pelo Congresso indicadas cinco localidades - Juiz de Fora, Barbacena, Paraúna (hoje um distrito de Conceição do Mato Dentro), Várzea do Marçal (hoje um bairro de São João Del Rei) e Belo Horizonte - para de entre estas ser escolhida a que reunisse todas as condições necessárias para a nova metrópole de Minas.

Uma comissão de técnicos, sob a direção do distinto engenheiro maranhense Dr. Aarão Reis, foi nomeada pelo Presidente Conselheiro Pena; efetuou estudos completos dos cinco lugares e, no relatório apresentado ao governo, julgando igualmente em boas condições as localidades denominadas Belo Horizonte e Várzea do Marçal, concluiu por preferir esta última.

Reunido o Congresso em Barbacena por estar ameaçado em Ouro Preto (dada a resistência dos ouro-pretanos em perder o status de capital), a 17 de dezembro de 1893, pela Lei número 3, adicional à Constituição, depois de uma tremenda luta parlamentar, foi afinal escolhido o local em que existia o arraial de Belo Horizonte, antigo Curral d'El-Rei.

A 1o de março de 1894 o Sr. Aarão Reis, nomeado anteriormente Chefe da Comissão Construtora, organizou-a, instalou-a e dirigiu-a até maio de 1895, quando se exonerou, sendo substituído pelo grande engenheiro mineiro Doutor Francisco de Paula Bicalho. Este, ao assumir a chefia, a 22 de maio de 1895, encontrou o arraial desapropriado, os estudos da nova cidade feitos, iniciada a construção de um ramal férreo que se deveria ligar à Central do Brasil em Arrudas, depois General Carneiro.

O prazo constitucional para a mudança da capital era de 4 anos, a partir de 17 de dezembro de 1893. O engenheiro Bicalho remodelou a Comissão Construtora, construiu aquele ramal férreo e outro no centro da localidade, que media o dobro do primeiro, dotou-os do material fixo e rodante e promoveu a aquisição de todo o material necessário, em Minas, em outros estados e no exterior. Atacou vigorosamente os trabalhos e não a 17, mas a 12 de dezembro de 1897, era pelo Presidente de Minas Gerais Dr. Crispim Jacques Bias Fortes inaugurada a nova capital de Minas, com grande solenidade, na Praça da Liberdade.

Extinta a Comissão Construtora e criada a Prefeitura, esta se instalou a 3 de janeiro de 1898 no velho sobrado em que funcionara o Escritório Central da Comissão. O primeiro prefeito nomeado para a capital foi o Sr. Alberto Dias Ferraz da Luz.

A cidade inicial contava 10 mil habitantes e possuía apenas 500 casas novas, estando ainda habitadas muitas casas velhas remanescentes do arraial e milhares de cafuas e barracões provisórios.

A capital denominava-se então Minas, em virtude da Lei n. 3, adicional à Constituição, mas a comarca criada em 1897 chamava-se Belo Horizonte.

Em 1901 o Congresso adotou o nome de Belo Horizonte também para a cidade.

Nos seus primeiros 22 anos, a capital vegetou, devido às enormes crises financeiras pelas quais passava o país, e teve evolução muito lenta. A partir de 1922, quando prefeito o Dr. Flávio Fernandes dos Santos, ativou-se o seu progresso, tornando-se vertiginoso e ininterrupto de 1935 em diante.

Dentre os prefeitos da capital, figura o nome de Juscelino Kubitschek de Oliveira, que se tornaria depois governador de Minas Gerais e Presidente da República. JK esteve à frente da administração municipal no quinquênio 1940-1945. Nesse período, Belo Horizonte experimentou grande surto de progresso: asfaltamento dos principais logradouros de quase toda a cidade, formação de novas vilas e bairros, além da majestosa realização urbanística que é a Pampulha.

O primeiro prefeito eleito de Belo Horizonte foi o Dr. Otacílio Negrão de Lima, empossado a 12 de dezembro de 1947, data do cinquentenário da cidade. Sua administração também foi marcada por uma série de realizações que muito concorreram para o progresso da capital mineira.

Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. IBGE - organizada por Jurandyr Pires Ferreira. Rio de Janeiro, 1958